Acabou a 1ª temporada de 'Fear The Walking Dead'. E aí?
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"Eu nunca soube para onde iria. É como se eu estivesse vivendo assim por muito tempo. E agora todos estão me alcançando. É estranho". E chegou ao fim no domingo passado a primeira temporada de "Fear The Walking Dead", derivado da principal série de zumbis dos últimos anos. A trama propôs mostrar o começo da epidemia que vitimou a população mundial e o caos instaurado nesse cenário. Foram apenas seis episódios para nos reapresentar a esse universo tão conhecido da cultura pop. E aí, vale a pena acompanhar a série?
Primeiramente, fique tranquilo se você nunca viu "The Walking Dead" e não tem tempo para recuperar cinco temporadas. É completamente possível ver "Fear" sem nunca ter acompanhado a série principal. Com produção executiva do criador desse universo, Robert Kirkman, a série funciona como um "prequel", ou seja, ocorre no mesmo universo, mas sem referências. Os produtores tomaram a melhor decisão para o seu enredo: não mostrar a origem do vírus que matou o planeta. Não existem respostas além do temor da natureza, não há conspirações ou experiências que deram errado. O enredo acerta por focar em uma família suburbana e, principalmente, desfuncional. Esse é o berço para todo o drama da série, que inclui drogas, filhos rebeldes, ex-parceiros e, claro, zumbis.
"Fear The Walking Dead" começou com um ritmo lento, assim como prometeu, cedendo espaço para a tensão e o suspense. Terminado esse primeiro ciclo, existe uma dúvida: será que a série realmente cumpriu o papel que se propôs? Honestamente, senti falta de alguns detalhes importantes para esse período. O enredo meio apresado dos últimos episódios parece ter prejudicado o próprio andamento da trama. Faltou mais baderna nas ruas. Faltou caos. O avanço a partir dos dias sob os "cuidados" dos militares parece ter limitado o medo e a insegurança que realmente precisavam estar presentes. A cena, no 3º episódio, em que as luzes da cidade começam a apagar é um bom exemplo disso. Precisávamos mais daquilo para entender melhor a tensão, para "sentir" o medo.
Sobre os novos personagens principais, destaque para Nick e a forma do jovem, ex-drogado, enxergar o mundo. É dele a frase que abre essa crítica. "Fear" mostrou a força dos marginalizados. Por outro lado, temos o triângulo Travis/Madison/Salazar, que será muito interessante acompanhar. O primeiro é um dos personagens mais insuportáveis do apocalipse e precisou de alguns episódios para realmente entender que é preciso matar. "O Homem Bom", último episódio da temporada, trouxe Travis matando uma pessoa (não-zumbi) e esse é o clique que promete mudar o personagem. Madison é a matriarca que faz tudo pela família, enquanto Salazar é quem entende que esse novo mundo não é para os bonzinhos. O tripé principal e Nick formam o diferencial de "Fear".
Todo esse contexto e também as surpresas que o último episódio reservou apontam para um destino interessante na série. São muitas possibilidades e espero que ela explore as melhores, no seu ritmo. Por isso, "Fear The Walking Dead" é diferente: não são sobreviventes correndo de um lado para outro, mas pessoas tentando entender e lidar com essa nova situação. O medo do desconhecido é o que precisa nortear essa família. Basta a série aceitar isso e seguir em frente no tempo certo.
Fique ligado: a sexta temporada de "The Walking Dead" começa hoje, a partir das 23h, na Fox Brasil. "Fear" ganha mais 15 episódios no ano que vem, depois de ter a primeira temporada mais assistida da TV a cabo nos EUA.
Zumbis ♡
Texto por Evandro Rafael Claudio





