Perdido em Marte: uma história espacial sobre humanidade

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Hollywood voltou a abraçar filmes de ficção científica espacial nos últimos anos. Entretanto, "Perdido em Marte" destaca-se nas telonas por fugir do próprio gênero. O novo trabalho do diretor Ridley Scott, idealizador de "Alien: O 8º Passageiro", está longe do impacto visual e da sensação de imersão causada pelos efeitos práticos de "Gravidade" (2013) ou da linguagem abordada em "Interestelar" (2014). Na verdade, definir esse filme como uma história de ficção baseada na ciência é pular todos os outros aspectos que fazem deste um ótimo divertimento.

A trama de "The Martian", baseada na obra literária de Andy Weir, é bem simples. Uma equipe de astronautas analisa a superfície do Planeta Vermelho, quando uma tempestade inesperada os atinge.  Um dos membros do time é ferido e Mark Watney (Matt Damon) não consegue alcançar a nave. Os instrumentos dizem que seus sinais vitais pararam e a capitã Melissa Lewis (Jessica Chastain), relutante, inicia a viagem de volta à Terra. Comoção após o anúncio da morte do tripulante pela NASA. O que ninguém esperava, nem mesmo Watney, é que ele sobreviveria. A partir daí, o ator consegue segurar o clima de tensão em quase duas horas de filme.
O roteiro escrito por Drew Goddard conta com tiradas inteligentes, muitas referências a cultura pop e um bom humor na medida certa. Ao usar o recurso de "quebra da quarta parede", Matt Damon conversa com a câmera e, portanto, com o público, em uma espécie de diário de sobrevivente do astronauta. Essa leveza encontrada pela direção criativa de Ridley Scott honra o livro original - também repleto de metáforas - e seduz o espectador. A linguagem atinge a todos e, mesmo com o final previsível, não é difícil acreditar na história. Não podemos falar em uma direção espetacular, mas é bom ver Ridley Scott de volta as origens. Tudo bem que sua trajetória estava um pouco torta após "Prometeus" (2012), frustrado por um fraco roteiro e soluções duvidosas, mas ainda estamos falando de um dos mais experientes cineastas, capaz de imprimir sua marca mesmo em grandes estúdios.

A interpretação de Matt Damon para o papel do protagonista é cativante e essencial para o longa funcionar. O ator faz com que o público torça por ele, assim como em "O Resgate do Soldado Ryan" (1998). Afinal, "Perdido em Marte" é principalmente sobre sensações, sobre humanidade. Trata do desejo de vencer desafios e superar limites - o mesmo desejo que não permite deixarmos o nosso planeta vizinho em paz. Não há um vilão, não há uma grande conspiração. Existe um ser humano ali na tela. E ele quer voltar pra casa.




POLÊMICAS A PARTE...
Na mesma semana em que "Perdido em Marte" chegou aos cinemas mundiais, a NASA confirma a possível existência de água salgada em estado líquido no planeta vizinho. Coincidência? Nem um pouco. "Se existe um filme sobre uma missão da Nasa para Marte, que, de certa maneira, é quase um comercial em longa-metragem para a agência... Por que eles não iriam guardar esse último anúncio para coincidir com o lançamento do filme?", questionou o crítico norte-americano Peter Bradshaw na semana passada. Em entrevista recente, o diretor Ridley Scott confirmou que tinha conhecimento da informação há meses!

NASA, ensinando como fazer uma boa propaganda.

Texto: Evandro Rafael Claudio


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